
Vivemos uma época de uma sofisticação incrível, elaboramos rituais, cada vez mais complexos para atingirmos nossos objetivos, seja na vida profissional, na afetiva, na social ou nos procedimentos com nossa saúde; para realizarmos um dia rotineiro precisamos estar apoiados a um número cada vez maior de apetrechos tecnológicos e quem não os domina fica cada vez mais marginalizado nesta sociedade neurotécno, como se todos sofressem de um tipo coletivo de TOC( transtorno obsessivo compulsivo).
Já houve tempos, e não tão distantes, em que para trabalhar bastava a vontade ou até mesmo a necessidade, hoje precisamos de cursos de graduação, MBE, e até a consultoria de um coaching.
Na vida afetiva nos apaixonávamos por alguém escolhido dentro de um grupo pequeno e vivíamos com a pessoa por toda a vida, sem dúvidas do papel de cada um e recebíamos os filhos como uma benção divina, hoje acessamos a praticamente pessoas de todo o planeta, usamos serviços especializados de relacionamentos, entre o interesse e a decisão de viver juntos, temos a azaração, o ficar, o namorar e diversas formas de viver juntos, casando, não casando, na mesma casa ou não, e as considerações preventivas de contrato judicial para facilitar o momento da separação, sobre a carreira profissional de cada um dos componentes do casal, o que deve ser levado em conta também na hora de ter ou não ter filhos que passam a fazer parte de um complexo cronograma da evolução social do casal, que já planeja uma vida altamente sofisticada e estressante para os novos membros da família; há ainda o cálculo e a provisão para o impacto financeiro nas contas do casal, provocadas pelo herdeiro e claro quase ninguém mais ouve o "felizes para sempre", pesquisa-se um bom terapeuta para casamentos doentes e em tempo, um bom advogado; romântico não?
Já ia me esquecendo, o bom e velho amor não é sofisticado o bastante para os dias de hoje.
A vida social não é mais para compartilharmos prazeirosamente momentos com amigos leais e sim uma desesperada luta para "firmar", sua posição na sociedade e exercitar uma competição neurótica com os "amigos".
Com relação a nossa saúde é muito mais intensa a nossa necessidade de sofisticação, buscamos os hospitais equipados com os melhores equipamentos e não os melhores profissionais da saúde ou mesmo as melhores pessoas.
Buscamos os medicamentos mais modernos e conseqüentemente mais caros, mesmo que um remédio tradicional, barato e simples esteja a disposição.
Não nos ocupamos com o mais óbvio com relação a saúde, a prevenção.
Muitos de nós "esquecem" de beber água, comer fibras, ingerir álcool com moderação, não fumar, não se estressar, praticar exercícios físicos, dormir, passear, namorar e trabalhar pelo prazer e não só pelo dinheiro.
Priorizamos sim uma vida estressante, que a despeito dos avanços científicos, tem nos levado a um crescente número de vítimas de doenças cardíaca, obesidade, câncer, depressão, ansiedade, insônia, síndrome do pânico entre outros distúrbios.
O Dr. Edward Bach tinha uma definição singela para felicidade: "Felicidade é fazer o que se gosta, ao lado de quem se ama, em um lugar onde nos sintamos bem."
Neste espaço quero conversar sobre isto, os benefícios para a nossa saúde e bem estar a partir da volta a uma simplicidade consciente.

Um comentário:
Infelizmente as pessoas esquecem que a vida está exatamente nas coisas simples, naqueles pequenos instantes que fazem a diferença... não percebem o quanto é desgastante e inútil preocupar-se com mesquinharias. Lindo e interessantíssimo texto!
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